Abriu os olhos.
Acordou por um som nada suave nos seus ouvidos. Seu celular tocava. Olhou no identificador de chamadas e preferiu não atender. E assim o fez. Olhou para o relógio do próprio celular que já havia parado de tocar. Marcava 4:44 da manhã. Resolveu voltar a dormir. E novamente assim o fez, só depois de ficar tentando imaginar o motivo da ligação. Porém respeitou sua decisão de não querer atender e assim conseguiu finalmente dormir.
Novamente, abriu os olhos e acordou com um barulho chato no ouvido. Maldito celular. Olhou e agora era o alarme que havia programado para despertar na hora certa. Isso ate que a confortou, depois veio uma grande revolta por ter que levantar da cama no frio que estava fazendo. O mesmo relógio agora marcava 8:00 horas da manhã. Pelo menos, hoje, não teria que levantar as seis. Pensou se realmente levantaria ou se ativaria a tecla “soneca” do aparelho que permitia mais cinco de sono. Como se esse cinco minutos não fosse passar em dez segundos. Pensou nele. Não no dono da ligação misteriosa no meio da madrugada que interrompeu seu sono. Mais NELE. Logo ao despertar. E assim tinha sido em outros despertares, em dias anteriores, em semanas anteriores. Mais ele, tava longe demais e resolveu bloquear os pensamentos. Só todos esses pensamentos já haviam feito passar os tais cinco minutos da soneca. Então se enrolou no cobertor peludo, o ultimo da camada de três edredons que havia por cima e se arrastou até o banheiro. Ligou o chuveiro e lembrou que realmente não gostava de trabalhar. Ou pelo menos, acordar cedo não era algo feito com tão boa vontade. Ao entrar no banho lembrou que precisa comprar um chuveiro novo, daqueles bem grande e hiper quente. Lembrou também, de todos os compromissos do dia e acabou também por lembrar que já estava cansada disso. Pensou em virar hippie, morar na praia, e acabou rindo do o próprio pensamento escroto. Resolveu acordar de vez para mais um dia.
Sentou na frente do computador. Abriu todos os sites clichês, Folha Online, Orkut, Fotolog e resolveu se dedicar na leitura do primeiro. Mais embolação do que qualquer outra coisa. Não conseguia hoje, se interessar pelo conteúdo dos sites e muito menos pelo o que acontecia no Brasil, não queria saber de Venezuela, nem de Políticos Corruptos. Muito menos de saber qual era o time que havia perdido alguma partida ou das datas dos jogos das olimpíadas. Não queria saber das novas criações da Microsoft e muito menos queria começar a preparar as aulas que daria do dia. Só queria voltar pra sua cama, voltar a sonhar com algo que agora nem lembra o que era.
Um barulho na porta tirou toda sua concentração no nada. Voltou pro “agora” e descobriu que estava atrasada. Queria a carona do cara que havia batido na porta do seu quarto já a chamando para partirem. E ela não havia nem se trocado.
Fez tudo correndo, como são todos os outros dias da semana. Engoliu o café e saiu. Lembrou dentro do elevador alguma coisa esquecida por causa da pressa. Dessa vez, foi sua marmita feita bondosamente pela sua irmã, todos os dias. Ela sempre tinha que esquecer pelo menos em um dia da semana. Escolheu justo o último dia. Pensou nisso e deu um sorriso. O último dia da semana. Amanhã seria sábado, e ela sim poderia permanecer na cama, até o horário que bem quisesse. Pensou em o que poderia fazer mais tarde, depois do expediente de trabalho, depois do dia inteiro. E ele ainda estava apenas começando. Bendita sexta-feira! Algum show? Algum bar? Companhias? Sabia que convites surgiriam e sugestões também, resolveu esperar.
Chegou no trabalho pronta para dar mais uma aula. E assim o fez.
Uma atrás da outra. Sem esquecer o horário de almoço com uma amiga que conheceu nesse mesmo trabalho. Essa amiga tinha sido demitida há pouco tempo porque tinha mandado a chefe “praquele lugar” na frente de outros funcionários. Antes tivesse feito isso, sozinha, em algum lugar da empresa. Mas fez na frente de outras pessoas que foram lá e simplesmente contaram para chefe. E acabou tendo um destino não tão agradável.
Foram almoçar juntas e lá, contou como tinha sido realmente o caso.
No momento em que a amiga relatava todo o acontecido, flashes passava por sua cabeça pensando num momento de liberdade, se colocando no lugar da amiga.
Já queria parar de trabalhar, sendo que em pouco tempo atrás, essa mesma chefe veio conversar com ela a respeito do tempo de experiência que se expirava:
- Preciso que você faça alguns relatórios pra mim a respeito das turmas que estão para finalizar o curso, tem algum tempo livre durante uma aula e outra?
- Tenho sim senhora, posso matar algum tempo do meu almoço pra preparar esse relatório.
- Bacana, aliás os seus três meses estão acabando né?
- Sim, vai fazer dia 02, quatro meses que estou trabalhando aqui para vocês.
- Então, voltaremos a conversar uma próxima vez a respeito da sua efetivação.
Voltou a si quando a amiga a chamava pelo nome perguntando se estava prestando atenção no que ela lhe contava.
Fez apenas um positivo com a cabeça. Depois do almoço, dos flashes, das lembranças e de algumas risadas com a presença querida da ex-colega de trabalho (era uma das funcionárias que mais gostava dentro da escola que trabalhava), voltou para o trabalho. Dando graças a Deus por ser uma sexta-feira.
Começou a sentir um enjoou e uma cólica muito forte. Foi para a área reservada da escola a procura de algum remédio em vão. Lá encontrou um dos melhores remédios que precisas, caixas de som. Resolveu ouvir musica o resto do dia mesmo sendo o seu local de trabalho, um laboratório de estudo. Era sexta feira, só hoje. Pegou o objeto, ligou no primeiro computador da sala e lá ouviu musicas de bandas como Eletro, Som da Rua, Polar, Reverse, Tchopu, Detonautas e por aí vai.
Os alunos gostaram da aula com musica, alguns pediram pra ela gravaram um cd com as mp3’s das bandas que tinha gostado muito.
A vontade dela era ouvir Matanza, Jason, Adrem e por aí vai... mas aí já era abusar demais.
Acabou mais um dia de trabalho e voltou pra casa satisfeita, feliz, por existir o final de semana. Lembrou também, que havia esquecido de fazer aquele relatório que iria fazer durante seu horário de almoço. Resolveu fazer em casa e dar uma desculpa de que o problema era com a conta de e-mail. E simplesmente sorriu.
Esqueceu dos convites pra sair, o motivo maior era a cólica que só aumentara com o passar do tempo. Chegou em casa, tomou outro banho, fez alguns poucos trabalhos no computador e assim, resolveu encerrar seu dia... mais um dia igual a qualquer outro.